Vamos saber um pouco sobre a Uva Carmenere.

Alguns cientistas crêem que se trata de uma uva oriunda da Espanha, outros, que ela tenha se originado em Portugal.

O primeiro registro que se tem, porém, é de que os romanos levaram-na para Médoc, na região francesa de Bordeaux, ainda durante os primeiros séculos depois de Cristo.

Ela fazia parte do tradicional corte bordalês antes mesmo do Cabernet Sauvignon, surgido por volta do século XIX, e da Merlot, surgida no século seguinte.

Capaz de produzir um dos vinhos mais interessantes e aromáticos de todos, esse tipo de vinha guarda uma história e características únicas.

Os vinhedos franceses foram atingidos pela devastadora praga filoxera por volta dos anos 1870, fazendo com que essa qualidade fosse dada como extinta.

Exemplares da uva acabaram migrando com europeus para o continente sul-americano e sendo cultivados no Chile em meio a vinhedos de Merlot, variedade com a qual era confundida.

Foi somente em 1994 que a vinha foi redescoberta por especialistas e identificada como a mesma Carménère, tornando-se a uva mais emblemática do Chile e um sucesso de vendas e exportação em todo o mundo. O ampelógrafo Jean-Michel Boursiquot descobriu as uvas Carménère em terras da Vinã Carmen, que foi responsável por engarrafar o primeiro lote da uva, cortado com Cabernet Sauvignon, em 1996, e chamou de Grande Vidure.

A sobrevivência dessa casta se deu graças ao isolamento geográfico chileno. O país é cercado ao oeste pelo Oceano Pacífico, ao leste pela Cordilheira dos Andes, ao sul pelas terras isoladas da Antártica e ao norte pelas areias do Deserto do Atacama.

As vinhas crescem por lá com segurança, livres de poluição e salvas de pragas exterminadoras como a filoxera. A uva Carménère também é cultivada na Itália, Estados Unidos e na China é conhecida como Cabernet Gernischt. A quantidade produzida nem se compara com a das terras sul-americanas. Dos 11,3 mil hectares cultivados em todo o mundo, mais de 90% estão no Chile.

Os vinhos varietais (feitos apenas com uma casta) produzidos pela Carménère são normalmente vinhos de sabor marcante e que apresentam muita estrutura. Dificilmente são indicados para consumo imediato, já que esse tipo de vinha é considerado uma das mais potentes, permitindo a obtenção de vinhos com excelente potencial de guarda.

Por ter sido redescoberta na década de 1990, não existem vinhos Carménère que tenham muitos anos de vida. Os vinhos podem aguentar de 10 a 20 anos se armazenados em perfeitas condições.

Apesar da semelhança e características próximas, algumas diferenças notórias ajudam na identificação das videiras de Merlot e Carménère. Quando jovem, as folhas da Carmenere têm uma tonalidade avermelhada por baixo, enquanto as folhas da Merlot são brancas.

Outro motivo que acaba gerando confusão entre as 2 uvas é a proximidade dos sabores. Ambas são conhecidas por apresentarem aromas doces e taninos suaves. Contudo, outros detalhes importantes distinguem uma variedade da outra.

As videiras da robusta Carménère amadurecem de 2 a 3 semanas mais tarde do que as da Merlot. As safras são reduzidas para que ela esteja bem madura no tempo de colheita.

Quando bem amadurecida, a uva gera vinhos ricos, com tons de cereja e notas de café e de chocolate. No entanto, a falta de água entre o inverno e a colheita pode fazer com que a uva imatura apresente aromas de pimentão verde, típicos de solos pobres.

A confusão entre essas uvas já resultou em danos na elaboração dos vinhos chilenos, já que antes de 1994 a Carménère era cuidada como Merlot. Com o tempo de amadurecimento diferente, a vinha não tinha o tratamento necessário e a bebida, consequentemente, perdia qualidade.

A produção equivocada também fez com que a Merlot chilena fosse, muitas vezes, considerada inferior à Merlot francesa. Depois da descoberta da Carménère e do fim da confusão entre as castas, a produção dos vinhos sul-americanos teve um aumento de qualidade considerável.

O nome em francês “Carménère” significa “carmim”, em português, e está diretamente relacionado à cor da pele dessa uva, que exibe tonalidade forte de um vermelho intenso. Essa coloração característica é facilmente transferida para os vinhos elaborados a partir da vinha.

A Carménère é uma casta exigente e complexa que encontrou em solo chileno as condições climáticas ideais para se proliferar e demonstrar todo o seu sabor e potencial. Por ser uma uva muito sensível e demorar mais para amadurecer se comparada a outras variedades, as vinhas precisam de atenção especial.

Quando colhida no momento exato, a espécie tem profundidade e frescor que lembram aromas de frutas negras maduras — como ameixas e cerejas —, de pimenta preta, de herbáceos e de terra úmida. Se for retirada das vinhas de maneira tardia, a sua acidez é reduzida.

De modo geral, os bons vinhos produzidos à base dessa uva são elegantes, bem estruturados, possuem coloração escura, profunda e contam com sabores aveludados, sedosos e marcantes. Os exemplares envelhecidos em carvalho ganham complexidade e podem apresentar notas de chocolate, baunilha e tabaco.

Na boca, despertam taninos mais macios que a Cabernet Sauvignon e a Malbec. Entretanto, não chegam a ter delicadeza da Pinot Noir nem da Merlot.

Os vinhos da uva Carménère, por terem uma acidez mais acentuada, formam uma ótima combinação com pratos com tendência ao amargo ou ao salgado, como carnes de porco e vermelha sem muita gordura. Aqui, o ideal é não misturar o vinho com outros elementos ácidos (por exemplo: molho de tomate).

Rótulos com maior acidez chegam a comportar peixes gordos, como salmão e linguado. Tenha cuidado com a harmonização de pratos à base de molho de tomate, pois nem todos os vinhos de Carménère tem acidez suficiente. Prefira receitas onde o molho esteja incorporado, como nos ragus ou bolonhesa.

Para aqueles que desejam opções mais leves, a harmonização da bebida pode ser feita com: azeitona, peru assado, queijo muçarela, queijo parmesão e saladas.

Com tudo isso, fica fácil de saber por que a uva Carménère faz tanto sucesso. Além de ter um sabor único e sofisticado, fazendo com que vá bem à mesa com diferentes acompanhamentos, esse vinho é uma excelente opção para dividir um momento especial com as pessoas que você ama.

Fontes: Winepedia, Revista Adega, Blog da Familia Valduga

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