Na produção de vinhos finos, qual seria a uva que representaria o Brasil?
A resposta mais comum seria a uva Merlot.

Esta uva é muito cultivada no Brasil, agradando desde os novos consumidores até os amantes do vinho mais experientes.
Além da Merlot, a Cabernet Sauvignon representa uma grande parcela na produção vinícola brasileira e mundial.
Seu nome faz referência ao melro-preto, uma espécie de pássaros pretos muito comuns na França na época em que o vinho começou a se tornar popular. Alguns acreditam que o apelido foi dado por se tratar de uma uva escura e pequena, assim como as aves, e outros contam que elas se alimentavam desse tipo de fruto nas videiras e serviram como inspiração.
No decorrer dos anos, a Merlot também foi chamada de outras formas, como Begney, Bigney Rouge, Crabutet e Merlau. Um dos nomes mais interessantes é Seme dou Flube, que em português significa “plantinha do rio”, pois acreditava-se que a uva teria se originado às margens do rio Garonne, em Bordeaux.
No fim de 1990, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram por meio de um teste de DNA que a Merlot é descendente direta da uva Cabernet Franc e, portanto, “irmã” de outras castas de Bordeaux, como Carménère, Malbec e Cabernet Sauvignon.
A uva é fruto do cruzamento de duas castas muito respeitadas: a Cabernet Franc e a Magdeleine Noire des Charentes.
A uva Merlot teria sido trazida à França do Oriente Médio.
A região de Bordeaux, na França, carrega um status de importância para a enocultura mundial. Além de ser onde se desenvolveram técnicas de vinificação, trata-se do local de origem de importantes uvas viníferas, como a Merlot.
Os primeiros registros dessa uva datam do final do século 18. À época, tinha um caráter secundário em comparação com outras castas, e era utilizada, na maioria das vezes, para fazer blends com outros frutos.
Sua popularidade começou a crescer a partir do século seguinte, se firmando ao norte de Bordeaux, nas sub-regiões de Médoc e do Estuário de Gironde, e se expandindo por toda a França e em 1855, ela já aparece nos registros de uvas tintas cultivadas na Itália com o nome de Bordô, sendo a segunda mais cultivada do planeta.
Em 1956, ocorreu um evento climático conhecido como a “Devastação de Videiras na França”. Após uma forte geada, a grande maioria das plantações de Merlot no país foi dizimada. As vinhas que sobraram foram replantadas, porém sem sucesso, pois estavam contaminadas e acabaram apodrecendo.
Isso fez com que, em 1970, o governo francês banisse novas plantações da uva no país, ação revogada apenas cinco anos mais tarde. Por esse acontecimento recente, quando comparada a outras castas, a quantidade de plantações de Merlot na França ainda é pequena.
Por outro lado, a uva acabou se popularizando em muitos outros lugares.
Após a proibição, países como Chile, Argentina, Estados Unidos e Brasil aproveitaram a demanda que já havia no mercado e investiram na produção de vinhos Merlot, fator que perdura até hoje.
Um fator que favoreceu esse sucesso estrondoso foi sua adaptabilidade aos mais distintos solos e climas do Novo Mundo.
O Brasil vem se destacando desde a década de 1970. De fato, a uva gostou tanto da Serra Gaúcha que há quem diga que ela deveria ser o emblema da nossa principal região produtora.
Metade da produção mundial de Merlot vem da região de Bordeaux (onde ocupa o dobro de hectares cultivados com Cabernet Sauvignon).
A outra metade está distribuído pelas mais variadas localidades como Israel, Romênia, México, Califórnia, Nova Zelândia, Suíça, África do Sul, Canadá, Chile, Uruguai, Argentina e Brasil.
Uma das principais razões da popularidade global da Merlot é a sua versatilidade. Isso acontece porque a partir dela podem ser elaborados tanto vinhos mais jovens, delicados e leves, quanto bebidas mais encorpadas e com longa guarda. O grande ponto positivo é que ambas as versões mantêm altos padrões de qualidade.
Em uma escala de intensidade de corpo e coloração de tintos, considerando o Pinot Noir como o mais leve, e Malbec e Syrah como os mais fortes, é possível encaixar os Merlots exatamente no meio, juntamente com as variações Zinfandel e Tempranillo.
Existe uma polêmica em torno da Merlot sobre qual seria o momento de colheita das uvas.
A coisa é tão séria que acabou dividindo o estilo de produção em dois, dependendo do momento em que a uva é colhida.
Padrão internacional
Uma das grandes vantagens do cultivo da Merlot fora da Europa é o fato de ela amadurecer rápido e poder ser colhida mais cedo, antes que chuvas e outros problemas climáticos possam prejudicá-la.
Para alguns, no entanto, na realidade, ela fica muito mais gostosa quando é deixada por mais tempo no cacho, já que fica ainda mais concentrada.
Esse é o padrão mais usado nos vinhos produzidos no Novo Mundo com a Merlot.
Suas características são:
Padrão francês
O segundo prefere a colheita no momento certo, sem deixar que ela amadureça em demasia. De acordo com os puristas, esse método permite que a bebida mantenha sua elegância e leveza originais, deixando-a mais fresca e aumentando sua longevidade.
No Brasil, como na França, essa é a forma de cultivo predominante, já que ajuda a proteger as videiras das chuvas de verão.
As características do vinho elaborado com a uva colhida no período "ideal” são:
Clima Frio ou Quente
Como se não bastassem essas diferenças, especialistas ainda afirmam que há diferença de entre os vinhos em razão da região onde a uva é cultivada, especificamente se em local mais quente ou mais frio.
De fato, vinhos de regiões mais frias, como França, Itália e Chile, são mais estruturados, com maior presença de taninos e aromas de tabaco. Já os vinhos de regiões mais quentes, como da Califórnia, da Austrália e da Argentina, são mais frutados e com taninos menos predominantes.
Outro diferencial é o teor alcoólico: nas regiões mais quentes os vinhos tendem a ter um percentual alcoólico mais elevado, em torno de 14,5%, ao passo que os vinhos de regiões mais frias ficam em torno de 13,5%.
Blend ou varietal
Tanto em uma linha como na outra, quando comparada a outras uvas, a Merlot chama a atenção por ser frutada e aveludada, mais um motivo pelo qual é tão popular em todo o mundo.
Os vinhos varietais, isto é, feitos exclusivamente com Merlot, geralmente são macios e fáceis de beber.
Já nos blends (principalmente com Cabernet Sauvignon e Tannat), a Merlot emprega delicadeza e as outras uvas proporcionam mais estrutura à bebida, como acontece nos vinhos de Bordeaux.
Quando é amadurecida em barris de carvalho, a Merlot fica ainda mais redonda e macia, onde aporta-se aromas e sabores que geralmente denotam café, baunilha, chocolate e especiarias.
Na França é a mais cultivada, deixando para trás as aclamadas uvas Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. Os principais locais de cultivo por lá estão nas regiões de Pomerol e St. Émillion. No Sul, o cultivo aumentou nos últimos anos, especialmente na região de Languedoc-Roussillon.
Na Itália é a quinta mais cultivada, onde faz parte da composição de grandes vinhos de corte nas proximidades da Sicília e do Friulli. Seu grande destaque se dá na Toscana, onde são elaborados os rótulos mais famosos do país: os chamados supertoscanos. Nesse blend especial, a Merlot é combinada com a Sangiovese, a fim de diminuir a acidez e tanicidade do vinho. É comum que ela ainda participe de outros blends com castas, como a Cabernet Sauvignon e a Syrah.
Em Portugal, na região de Setúbal, os varietais produzidos utilizando a Merlot são bastante conceituados, já que são capazes de manter suas altas qualidades mesmo depois de um bom tempo de guarda.
Nos Estados Unidos as melhores produções da Merlot estão situadas nos estados da Califórnia e da Virgínia. A produção californiana tem sido reconhecida mundialmente, porém, foi só na década de 1980 que ganhou destaque. Em Washington, a Merlot ajudou a impulsionar o desenvolvimento da viticultura e a colocar a região no mapa mundi do vinho. Antes do cultivo da Merlot, muitos consideravam essa região como muito fria para o cultivo de uvas tintas, mas o sucesso dessa variedade provou o inverso.
No Chile, em meio a várias regiões produtoras, o Aconcágua revela seu clima como o mais adequado do país. As baixas temperaturas do local ajudam os exemplares a ter mais taninos, boa estrutura e elevado nível de acidez.
No Brasil é a mais plantada na região sul do país. Algumas vinícolas utilizam a uva para a elaboração de espumantes combinados com outras castas, como Pinot Noir e Chardonnay. Este estilo de produto será encontrado em Espumantes Rosé ou Tinto.
Diferenças entre a Merlot e a Cabernet Sauvignon
Antes de entender o que essas uvas apresentam de diferença, é interessante conhecer o que elas compartilham.
A Merlot e a Cabernet Sauvignon são utilizadas para criar um dos vinhos de corte (ou blend) mais famosos do mundo: o bordalês.
Elaborado na região de Bordeaux, na França, a clássica mistura utiliza a Cabernet para trazer força e capacidade de envelhecimento ao vinho, enquanto a Merlot empresta equilíbrio e textura ao corte.
É importante saber que um dos pontos que distinguem os vinhos de Cabernet dos da Merlot é a sua concentração.
A uva Cabernet tem uma característica tânica bastante forte, que deixa a sensação de "língua travada", remetendo ao que se sente quando se morde goiaba, caqui ou banana ainda verdes. Isso acontece devido à alta concentração de taninos presente nessa casta da fruta.
Já a Merlot apresenta uma qualidade mais macia ao paladar, oferecendo uma sensação de “língua aveludada”. Essa é uma uva que conta com potencial forte para dar textura macia à bebida, deixando-a mais equilibrada.
Outro ponto de diferenciação é a coloração dos resultados. Quando jovens, os vinhos da Merlot tendem a ser de cor mais violácea, ou seja, tons próximos ao roxo, enquanto os exemplares também jovens da Cabernet se mostrarão com uma cor mais avermelhada, em nuances de rubi.
Quando envelhecidos, os vinhos Cabernet tomam cores vermelho-tijolo, enquanto os vinhos produzidos com a Merlot assumem vermelho intensa original da Cabernet.
É por isso que muita gente se confunde na hora de diferenciar essas duas castas em estágios mais envelhecidos.
A Merlot tem uma versão branca
Na elaboração dos vinhos não é permitido adicionar corantes ou aromas sintéticos. A coloração do vinho é proveniente das cascas da uva, pois a maior parte das frutas não apresentam matéria corantes na polpa, sendo assim é possível elaborar vinhos brancos com uvas tintas, desde que se evite o contato prolongado do líquido com as partes sólidas do fruto, processo este conhecido como maceração.
Este processo é pouco usual quando nos referimos a uva Merlot, pois a casca do fruto agrega a maior parte dos aromas e sabores.
Os preços podem ir às alturas
A maioria dos rótulos da uva é bastante acessível. No entanto, a precificação de uma garrafa depende de vários fatores. Graças aos avanços tecnológicos inseridos no setor, os produtores disponibilizam ao mercado exemplares de alta qualidade com preços que podem variar de R$ 30,00 a R$ 120,00.
Vinhos como o Chateau Cheval Blanc, o Chateau Petrus e o Le Pin são elaborados com a Merlot.
O Chateau Petrus, por exemplo, que é elaborado praticamente somente com Merlot (essa uva representa algo em torno de 95% do blend), já foi vendido por aproximadamente USD 1.870 (quase 10.000 reais no cambio atual).
Denominação de Origem no Brasil
A Merlot é a casta tinta mais importante na única Denominação de Origem do território nacional.
Foi no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, que a uva recebeu o reconhecimento DO.
Essa é uma certificação que assegura que as bebidas têm procedência geográfica única e que as vinícolas seguem práticas regulamentadas pela legislação local.
Harmonizações com Merlot
Graças a seus taninos macios e média intensidade, a uva Merlot pode ser harmonizada com uma grande variedade de pratos. Entre as combinações mais comuns estão as carnes brancas, que têm uma potência de sabor similar, tornando a experiência gastronômica agradável.
Nessa categoria, algumas das sugestões mais comuns são frango, pato e peru assados e cortes suínos menos gordurosos, como o lombo e o pernil. Evite combiná-lo com peixes de sabor suave, pois o vinho costuma sobrepujá-los.
Pratos ou acompanhamentos à base de vegetais também são excelentes opções. Opte por raízes salteadas (como batata e cenoura) e saladas de inverno, geralmente servidas mornas e com ingredientes cozidos.
Uma opção de prato é o beef bourguignon, um ensopado de carne da região da Borgonha, na França, e que tem um molho à base de vinho tinto, cenoura, cebola, salsão, alho e ervas, como tomilho e salsinha.
Para servir um Merlot em uma noite de queijos e vinhos, aposte em tipos maturados e de massa semidura, como gouda, gruyère, estepe, gorgonzola, provolone e parmesão.
As massas e os risotos ideais são à base de tomate (seco ou fresco) ou cogumelos, de preferência pouco condimentados. Por fim, ainda é possível servir esse vinho para acompanhar entradas, canapés ou mesas de frios.
Fontes: Winepedia, Revista Adega, Blog da Familia Valduga
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